O Astro: 60 anos das telenovelas no Brasil

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Seria injusto apenas apontar o dedo para os defeito de ‘O Astro’, a “novela” das 23h da TV Globo, que foi produzida em comemoração ao aniversário das telenovelas no país. Sessentona, a novela brasileira ainda tem seus encantos, mas é inevitável compararmos as produções de 10, 20, 30 anos atrás com o que temos sido obrigados a consumir nos últimos tempos – assunto que abordarei por aqui na próxima semana.

Remake adaptado da novela original exibida no final dos anos 70, da maravilhosa e insuperável Janete Clair, a ‘O Astro’ tem la seus acertos sim. A caracterização dos personagens é algo a se destacar, por exemplo. Também gosto da trilha sonora e de algumas atuações. O problema é que quem assistiu à trama original tem sentido o baque das mudanças no roteiro, como o envolvimento de Lili (Alinne Moraes) e Salomão Hayalla (Daniel Filho). E quem não teve a sorte de ver, mas gosta de uma boa novela, sente que a produção parece ter ficado no meio do caminho ao encurtar a história. O ritmo dos primeiros quatro capítulos foi alucinante e, não, isso não foi um elogio.

Além disso, alguns personagens foram tão alterados que algo parece ter se perdido, como é o caso de Márcio (Thiago Fragoso), interpretado por Tony Ramos na primeira versão, que agora lembra mais um neo-hippie que merece mesmo internação. No contexto em que se apresenta, em vez de ter ódio de Salomão, aparentemente um tirano rico e dono de uma cadeia de supermercados, o público acaba concordando com o fato de que o pobre executivo tem que se revoltar contra a parasita e adúltera mulher (Regina Duarte, em atuação deprimente). E que ainda precisa aturar um filho “revoltadinho”, irmãos incompetentes – sendo um deles totalmente mau caráter.

De qualquer modo, eu acredito em ‘O Astro’. O apelo sexual me incomoda um pouco porque acho desnecessário, mas é uma arma da emissora para brigar com As Fazendas da vida. E às 23h, tudo pode. Acredito na novela por conta do casal Herculano (Rodrigo Lombardi) e Amanda (Carolina Ferraz), que tem tudo para ter um final feliz desta vez. No capítulo de terça-feira (2/8), Salomão começa a mostrar as garras e logo vai morrer – vários personagens já o estão ameaçando. Então, a coisa promete esquentar na próxima semana.

Vale a pena assistir Humberto Martins mostrando tudo o que sabe como o nojento Neco; ou ver Marco Ricco dominando a cena com o inescrupuloso Samir. Tirando Regina Duarte, até as atuações mais fraquinhas, como as de Henri Castelli e Fernanda Rodrigues, não comprometem o contexto. E quem venha mais um quem matou…?

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