GORDA: Comédia dramática para gordos ou magros?


Fugindo um pouco do assunto principal do blog, que é a TV aberta e fechada (brasileira e internacional), quero compartilhar minha ida à peça GORDA. O espetáculo, que foi sucesso no Rio, fica em cartaz até 02 de maio. No elenco, o grande nome (sem trocadilhos) é  Fabiana Karla, que vive uma gordinha feliz e bem-resolvida – um tipo de personagem difícil de encontrar, seja na TV, no cinema ou no teatro.

Apesar de ter apenas 4 pessonagens, todas as situações constrangedoras as quais passam as pessoas obesas estão lá. O que me chamou a atenção foi o fato de que, em 100% das piadas, a personagem Helena não estava em cena. Pelo contrário: na frente dela, os amigos de Tony (Michel Bercovitch), que namora a gordinha, se mostram meio envergonhados e tentam ser educados, mesmo tendo usado xingamentos como “porca gorda” por trás. Joana (Flávia Rubim), ex-ficante de Tony, não se conforma por ter sido trocada por uma mulher com 30 quilos a mais que ela. Já o colega de trabalho Caco (Mouhamed Harchouf) é o típico babaca que prega o corpo perfeito, que em um dos melhores momentos da história, mostra sua fragilidade ao lembrar da “vergonha” que sentia da mãe de 170 quilos.

Apesar do texto bem conduzido, confesso que saí do teatro sem saber se a peça foi feita para dar uma lição nos preconceituosos, do tipo “não zombe porque ser diferente é normal”, ou se é mesmo escrita para gordinhos se identificarem. Não vou contar o final, mas adianto que não é feliz e acaba desconstruindo a imagem de bem-resolvida da protagonista. Se eu tivesse 16 anos, talvez saísse chorando e ficaria com medo de tentar me relacionar com qualquer homem magro. Aos 29, deixei a sala (com bancos muito estreitos, por sinal) sem entender onde a peça quer chegar, mas sem traumas nem dramas.

Teatro Procópio Ferreira
Endereço: Rua Augusta, 2.823 – Cerqueira César – São Paulo, SP
Telefone: 11 3083.4475
Site: http://www.teatroprocopioferreira.com.br/
http://gorda-a-peca.blogspot.com/

Uma resposta para GORDA: Comédia dramática para gordos ou magros?

  1. Oi Belle!

    Adorei a sua colocação, é sempre bom conhecer o ponto de vista das outras pessoas. Confesso que a primeira vez que assisti a peça me identifiquei muito, me lembrei de outros relacionamentos que tive, que terminaram sem nenhuma explicação. Passei a compreender melhor o que havia acontecido. Saí de lá mexida, mas sem nenhuma neura de me continuar a ser a gordinha bem resolvida que sou hoje.

    Mas ontem, ao rever a história, tive uma percepção diferente, e percebi que muitas pessoas magras saem dali um tanto constrangidas por agirem com um preconceito tão idiota e mesquinho.

    Enfim, lendo esse seu post, avalio que a história seja para ambos os casos, gordos e magros, e que, apesar de triste, mostra a realidade que existe e que muitas vezes não notamos, ou preferimos não imaginar que ela realmente existe.

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