CQC: Candidatos, Top Five e Dercy
O “Custe o Que Custar” (CQC) tem estado cada vez mais afinado. Divertido (principalmente pelo talento dos repórteres e pela edição inspirada), inteligente (ótima sacada) e respeitador com quem se dá ao respeito. Nesta segunda, a sabatina com os candidatos à prefeitura de São Paulo – da qual só a Marta Suplicy não aceitou participar – foi um dos pontos altos do programa. Quem mais acertou foi o Geraldo Alckimin, que errou apenas uma das seis perguntas: “Qual é o número da edição de 2008 do Festival Internacional de Cinema de SP”? Soninha e Paulo Maluf empataram com dois erros cada.
Outra parte sempre excelente é o Top Five da Semana, quandro semanal que já virou febre no YouTube. Essa semana o destaque ficou por conta do segundo lugar com um trecho do programa da Maísa no SBT. No final do programa foi ao ar uma matéria sobre o lançamento do DVD da Dercy Gonçalves, última gravação de que ela fez para a TV. Emocionante e engraçado, como deveria ser.
Mito: Dercy Gonçalves, sempre ela
Como divulgado amplamente pela imprensa, Dercy Gonçalves não queria tristeza nem na hora da morte. Então…
Filha de Dercy diz que última diversão da mãe foi ir ao bingo
‘Ela dizia assim: Vamos lá no bingo. Se me perguntarem qual foi o bingo que ela foi ontem, eu não sei. Tem vários abertos por aí. Eu sei que são clandestinos e ela ía. Eu respondia: mamãe, você ser presa pelos federais é folclore, eu não. Tenho que ficar do lado de fora para te soltar’, brincou”.
- Não sei quem é a mais fanfarrona: a filha por contar isso após a morte de mãe ou Dercy, que por mais escrachada que fosse, fazia o program típico das velhinhas com (quase) a sua idade.
Globo, SBT ou Rede TV!: Chico Anysio disputado?
Comédia. Difícil hoje saber o que mais faz rir: os telejornais com notícias absurdas sobre política (tem coisa mais engraçada do que o prefeito puritano de NY cair por causa de uma prostituta?) ou os programas de humor tipo besteirol/pastelão, gênero que se mantém nas cabeças. O “Show do Tom”, que virou um trunfo da Record na guerra pela audiência, tem feito Tom Cavalcanti parecer “o cara”. Sem dúvidas ele é bom, apesar de pessoalmente eu preferir o “Pânico na TV”, mas você sabe quem lançou esse jeito de fazer humor, né?
Pois é, Chico Anysio criou mais de 200 personagens diferentes e sustentou por muitos anos programas diferentes com seus tantos tipos. Ele ajudou muitos comediantes a ingressarem na TV, como foi o caso do próprio Tom (que fazia o bêbado Canabrava), principalmente com a criação da Escolinha do Professor Raimundo. O quadro virou programa e ficou onze anos no ar.
Não é preciso gostar da pessoa Chico Anysio ou achar que seu trabalho tem qualidade para reconhecer seu valor. Este ano, o comediante faz 40 anos de Rede Globo. Ano passado, no entanto, completou 60 anos de carreira. Tudo isso com 77 anos de vida. Só por esse resumo deu para perceber que a Globo deveria tratá-lo a pão de ló, não? Só que não bem isso que acontece. Chico tem feito pequenas participações em programas e novelas (adorei a atuação dele no remake “Cabocla” - e em um papel sério), mas nada de darem ao menos um quadro próprio para ele. Enquanto isso, programetes como “Zorra Total”, no qual pouca coisa se salva, repete a mesma fórmula sem conseguir êxito.
Chico tem um blog e já falou muitas vezes sobre suas insatisfações. Na última semana, ele apareceu em duas emissoras concorrentes, pois a Globo tem sido mais flexível com a liberação de seus artistas contratados. No SBT, ele participou da homenagem ao pai do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, Manoel de Nóbrega, que comandava a “Praça da Alegria”. A gravação foi transmitida ontem durante o “A Praça é Nossa”, único programa que ainda dá emprego para os humoristas mais velhos. Chico também sentou no sofá da Hebe segunda-feira.
Na Rede TV!, deu entrevista ao “TV Fama” e disse que não prentende trocar de emissora: “a Globo está me dando um descanso, por 36 anos eu fiquei no ar direto, gravando quase todos os dias. Agora me deram um refresco, mas continuo contratado”, afirmou.
As possibilidades têm se ampliado com a criação de núcleos de dramaturgia em outras emissoras, como Band e Record, por isso não me espantaria de ver Chico se aventurando em algo melhor. Ao mesmo tempo, a idade pesa e ele parece, apesar das reclamações no blog, conformado com seu estado atual. Vale lembrar que Dercy Gonçalves, no alto dos seus 100 anos, é sustentada por tio Silvio, que lhe paga um salário vitalício. Clap, clap!


