Mulher x Poder: dilemas da vida real e da telinha

abril 23, 2012

No dia 31 de março, fui a um evento bem bacana promovido pelo Femme – Laboratório da Mulher: a empresa ofereceu, gratuitamente, uma palestra sobre a saúde da mulher nos dias de hoje. No centro da discussão estava o papel da mulher ontem, hoje e amanhã e de que forma as relações de poder acabam prejudicando a vida. O médico Roberto Cardoso relacionou o estresse do mercado de trabalho ao abandono nossa energia, do “feminino essencial”.

Na TV, diversas novelas mostraram heroínas que se masculinizaram para se aproximarem do ideal masculino de poder. Quem não se lembra da Catarina, da novela “O Cravo e a Rosa”, baseada na peça teatral A Megera Domada, de William Shakespeare, e na novela O Machão, de Ivani Ribeiro. Vivida por Adriana Esteves, a personagem tinha cabelos curtos e assumia uma postura sempre raivosa e defensiva para afastar possíveis pretendentes que pudessem cercear sua liberdade. Em “Pedra sobre Pedra”, a personagem Pilar Batista (Renata Sorrah) também se masculiniza depois de uma decepção amorosa e assume uma posição de poder na família por meio de atitudes ríspidas.

Paralelamente, vemos mulheres da vida real divididas entre a posição de mulher-objeto, usando da sensualidade e do corpo para ter espaço na mídia, em contraponto com figuras como Margaret Thatcher e Dilma Rousseff, que tornam-se cada vez mais sisudas como forma de impor-se perante a maioria masculina no poder. Encontrar um meio-termo, protegendo a saúde enquanto o mundo evolui e nos encontramos dentro deste contexto é um desafio. E que a ficção nos acompanhe!


Avenida Brasil: alguém lembra de outra estreia tão boa?

março 27, 2012

Clap, clap, clap! Enquanto assistia às belas cenas em high definition do primeiro capítulo de “Avenida Brasil”, fiquei tentando me lembrar de uma novela que tivesse um início tão interessante. Além da ótima edição e de algumas atuações arrebatadoras, a construção da história criada por João Emanuel Carneiro foi brilhante, fomentando a vontade de ver como será o segundo, o terceiro e todos os demais capítulos.

Ao buscar na memória, lembrei que recentemente assisti ao primeiro capítulo de “Roque Santeiro”, no meu amado canal Viva, e que também fiquei impressionada com a narrativa ao mesmo tempo clara e carismática do folhetim. Levando-se em conta que a trama de  Dias Gomes (Aguinaldo Silva ainda não estava na jogada) foi ao ar 1985, foi um feito e tanto. Vide a tentativa frustrada de uma novela recente, “Insensato Coração”, em tornar o primeiro capítulo cativante: teve até avião sendo salvo pelos mocinhos!

“Avenida Brasil” é esteticamente bonita e cativou principalmente pelas atuações de Adriana Esteves e da menina-revelação Mel Maia. Tony Ramos emocionou – o que é uma especialidade do ator – enquanto Murilo Benício e Heloísa Perissé foram… o de sempre. Marcelo Novaes pode se tornar uma boa escada para Adriana Esteves, mas parece difícil vislumbrar algo melhor para seu personagem. Que venham mais capítulos!


Chico Anysio: a dolorosa perda de um mestre

março 26, 2012


Mais que um grande homem, Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho foram muitos. Aliás, a capa do jornal O Dia (reprodução no final do post) foi a que melhor conseguiu retratar a pluralidade do mestre. Um homem que teve tantas profissões ligadas ao meio artístico que fica até difícil enumerá-las.

Na TV Globo, a mesma emissora que colocou o mestre na geladeira nos últimos anos, Chico Anysio construiu uma carreira brilhante e tem recebido diversas homenagens desde a sua morte, do Domingão do Faustão ao Fantástico, passando pelo Jornal Nacional. Não há um artista que viva do humor neste país que não tenha bebido da água do velho Chico.

Nos últimos meses, acompanhei o exemplo de força e fé, e também o sofrimento, de Malga de Paula, atual esposa de Chico Anysio, com quem ele viveu seus últimos 14 anos de vida. Ela manteve o perfil @oficialchico, mandando informações aos fãs, como eu, dividindo as dores e as vitórias, e pedindo apoio. Impossível não se emocionar com tanto amor e tanta dedicação de uma mulher mais nova em idade, mas grandiosa em coragem.

Em 23 de março de 2012, ele se foi. Ficam os mais de 200 personagens e o legado de quem sempre acreditou que, com o humor, é possível entrar na vida e no coração das pessoas.


Fina Estampa: E finalmente acabou!

março 24, 2012

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Há tempos sabemos que bons índices de audiência não são sinônimo de qualidade na televisão. No emblemático dia da morte de Chico Anysio, mestre do humor brasileiro que tanto lutou pela vida, chegou ao fim uma das piores novelas já vista em horário nobre – que, apesar disso, foi recorde de Ibope.

“Fina Estampa” tinha tudo para ser um sucesso. Lilia Cabral de heroína quarentona, Aguinaldo Silva assinando o texto e trama principal claramente “requentada” da novela “Senhora do Destino”, considerada um dos marcos da faixa das 20h/21h da TV Globo. O problema é que (quase) nada fazia sentido e o folhetim acabou sendo pautado por núcleos paralelos e personagens carismáticos, como foi o caso do infantil Crô, o afetado e divertido personagem de Marcelo Serrado.

Em seu final, para lá de criticado nas redes sociais, a novela deixou várias perguntas sem resposta e mostrou que muitos de seus “mistérios” faziam tanto sentido quanto as patéticas maldades frustradas de Tereza Cristina, de uma Cristiane Torloni totalmente fora do tom. Em uma época na qual os folhetins buscam histórias com ar de magia ou o oposto, com o realismo do dia a dia como mote, “Fina Estampa” levou uma vilã de desenho animado para a telinha.

Concordo com a jornalista Heloiza Gomes: “Fina Estampa” não vai deixar saudades nem mesmo em quem acompanhou a novela por todos os seus 185 capítulos. Faltou química aos casais, faltaram explicações para situações absurdas (que tiveram de ser engolidas a seco), faltou talento a muitos atores (Caio Castro, Adriana Birolli, Malvino Salvador, Sandro Pedroso, só para citar alguns). E ainda foi uma pena ver outros excelentes profissionais desperdiçados em tramas medíocres, como Arlete Salles, ou histórias sem um final decente, como Dira Paes e Alexandre Nero.

E se alguém ainda tem dúvidas de que as referências à “Senhora do Destino” vão além das citações à Nazaré Tedesco, recomendo a montagem bem didática feita pelo UOL.

Que venha “Avenida Brasil”!

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Pelas chamadas, a trama promete uma Adriana Esteves bem distante da personagem chatinha (e aquém de seu talento), que a atriz interpretou em “Morde e Assopra”. E torçamos para que Débora Falabella consiga encontrar as nuances necessárias à personagem Nina, tanto quanto a estupenda Patrícia Pillar conseguiu com a saudosa Flora, de “A Favorita”, também de João Emanuel Carneiro.


A Fazenda: Será hoje a primeira expulsão?

agosto 9, 2011

No Brasil, apesar de tantos bundas e peitos de fora no Carnaval (e até fora dele), somos conservadores em termos de reality shows. Se mundo a fora é comum ver sexo explícito, pancadaria e jogos bem sujos, em terras tupiniquins o povo gosta mesmo é de romance, um bom coitadinho para cuidar e, claro, carinhas bonitas. Sendo assim, o ‘A Fazenda 4′ conseguiu fazer a mistura mais interessante de todos as edições: tem gente bonita, tem gente coitadinha e tem gente barraqueira.


Ontem, porém, a Record mostrou que, infelizmente, ainda não entendeu direito como se brinca esse jogo. Durante a tarde, a boxeadora Duda Yankovich deu um safanão em Thiago Gagliasso, irmão menos famoso do ator Bruno Gagliasso. Foi em uma brincadeira inocente, na piscina, durante uma partida esportiva. A informação repercutiu na internet e você, leitor, com certeza já sabe de todo o bafafá desde a tarde de segunda-feira.


Eis que, no programa de ontem, a emissora optou por deixar um “suspense” no ar, informando apenas se a moça será punida com a expulsão, regra clara de ‘A Fazenda’ em casa de agressão, ou não. Isso, claro, revoltou a quem entende do programa, gosta de reality shows e/ou faz crítica de TV, como o jornalista Maurício Stycer, que comentou nas redes sociais. Rosana Hermann postou um vídeo claríssimo, com alguns questionamentos do Twitter também.

Quem diria que um dia eu fosse achar que o maior problema de ‘A Fazenda’ NÃO é o Britto Jr.?


O Astro: 60 anos das telenovelas no Brasil

agosto 4, 2011

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Seria injusto apenas apontar o dedo para os defeito de ‘O Astro’, a “novela” das 23h da TV Globo, que foi produzida em comemoração ao aniversário das telenovelas no país. Sessentona, a novela brasileira ainda tem seus encantos, mas é inevitável compararmos as produções de 10, 20, 30 anos atrás com o que temos sido obrigados a consumir nos últimos tempos – assunto que abordarei por aqui na próxima semana.

Remake adaptado da novela original exibida no final dos anos 70, da maravilhosa e insuperável Janete Clair, a ‘O Astro’ tem la seus acertos sim. A caracterização dos personagens é algo a se destacar, por exemplo. Também gosto da trilha sonora e de algumas atuações. O problema é que quem assistiu à trama original tem sentido o baque das mudanças no roteiro, como o envolvimento de Lili (Alinne Moraes) e Salomão Hayalla (Daniel Filho). E quem não teve a sorte de ver, mas gosta de uma boa novela, sente que a produção parece ter ficado no meio do caminho ao encurtar a história. O ritmo dos primeiros quatro capítulos foi alucinante e, não, isso não foi um elogio.

Além disso, alguns personagens foram tão alterados que algo parece ter se perdido, como é o caso de Márcio (Thiago Fragoso), interpretado por Tony Ramos na primeira versão, que agora lembra mais um neo-hippie que merece mesmo internação. No contexto em que se apresenta, em vez de ter ódio de Salomão, aparentemente um tirano rico e dono de uma cadeia de supermercados, o público acaba concordando com o fato de que o pobre executivo tem que se revoltar contra a parasita e adúltera mulher (Regina Duarte, em atuação deprimente). E que ainda precisa aturar um filho “revoltadinho”, irmãos incompetentes – sendo um deles totalmente mau caráter.

De qualquer modo, eu acredito em ‘O Astro’. O apelo sexual me incomoda um pouco porque acho desnecessário, mas é uma arma da emissora para brigar com As Fazendas da vida. E às 23h, tudo pode. Acredito na novela por conta do casal Herculano (Rodrigo Lombardi) e Amanda (Carolina Ferraz), que tem tudo para ter um final feliz desta vez. No capítulo de terça-feira (2/8), Salomão começa a mostrar as garras e logo vai morrer – vários personagens já o estão ameaçando. Então, a coisa promete esquentar na próxima semana.

Vale a pena assistir Humberto Martins mostrando tudo o que sabe como o nojento Neco; ou ver Marco Ricco dominando a cena com o inescrupuloso Samir. Tirando Regina Duarte, até as atuações mais fraquinhas, como as de Henri Castelli e Fernanda Rodrigues, não comprometem o contexto. E quem venha mais um quem matou…?


CQC: descendo ladeira abaixo

agosto 2, 2011

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Programa que estreou com grande alarde, e muito apoio da crítica especializada e também dos telespectadores (principalmente nas redes sociais), o CQC vive uma fase complicada. Envolvida em polêmicas semana sim, semana não, a atração parece ter perdido a mão entre o politicamente incorreto e a babação de ovo com os poderosos, como Ronaldo Fenômeno – sempre poupado das brincadeiras mais pesadas.

Não é preciso ser muito inteligente para saber que piadas recheadas de palavrões, duplo sentido e escatologia fazem parte de um tipo de humor que faz rir, mas sem a menor profundidade. Onde estão as tiradas sarcásticas, meio ácidas, mas que atingiam em cheio às questões que estavam na boca do povo?

É verdade que o CQC não termina quando acaba e é comum que um fato ocorrido no programa seja assunto a semana toda. Um sonho para qualquer atração semanal, certo? Seria se isso não envolvesse críticas sociais, processos por injúria e difamação e questionamentos sobre o talento de humoristas/atores/repórteres que meses (ou anos) antes eram reconhecidos como novidades positivas nas telinha.

Dar voz a uma figura como o Bolsonaro, editar de forma duvidosa uma entrevista tipo barril de pólvora do Kajuru e, hoje, dar lugar para um Datena, profissional que sacaneou publicamente uma emissora concorrente (com direito a um “Chupa, Record” ao vivo, de Rafinha Bastos)… Não é de se estranhar que o distinto Marcelo Tas ainda vá ao Twitter agradecer a presença do último no programa. Se antes os eventos abriam as portas para o programa, agora os repórteres precisam brigar por credenciais e fazem tremer assessores de imprensa. Resta saber quem vai sobrar quando o CQC atingir o final da ladeira.


Dança dos Famosos 2011: Homens x Mulheres?

agosto 1, 2011

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Em sua oitava temporada, a Dança dos Famosos ainda é um sucesso. Quadro do ‘Domingão do Faustão’, inspirado em um tipo de reality show cada vez mais comum em diversas versões, a atração chega a 2011 com algum fôlego, apesar de já demonstrar sinais de cansaço desde a última edição. Se em 2010 a grande “briga” era entre Fernanda Souza, que sagrou-se campeã pelo carisma, e a nada simpática Sheron Menezes, este ano o racha ficou entre o clube do bolinha e o da luluzinha.

Iniciada no dia 15 de maio, já foram eliminados da temporada 2011 a cantora Roberta Miranda, MV Bill, a modelo Renata Kuerten e as atrizes Ellen Roche e Milena Toscano. Em nenhum dos casos pode-se dizer que houve injustiça – até ontem. No último domingo, quatro concorrentes disputaram uma semifinal, em que um deveria ser eliminado: os atores Miguel Roncato, Guilherme Winter e Nelson Freitas, e a atriz Roberta Rodrigues.

O primeiro tem um molejo que pode ser notado desde a primeira apresentação e atingiu o segundo lugar do dia. Roberta, que ficou em primeiro lugar nesta etapa, parece ter vindo com sede de vingança pela amiga Milena, eliminada no domingo passado – dançou bem, mas empolgou mais pela gara do que pela técnica. A injustiça ficou pela eliminação de Guilherme Winter, que de fato ficou devendo sem sincronismo com a professora, mas deu um show de esforço com bananeiras, cambalhotas e rodopios típicos da dança de rua, estilo representado na eliminatória. Em seu lugar, permaneceu Nelson Freitas, engraçado e carismático, mas que já devia ter sido eliminado na etapa anterior.


No Twitter, muitas pessoas questionaram, e com razão: será que na ‘Dança dos Famosos’, quem tem mais carisma, ou amigos entre os jurados, tem vantagem? Bom, até a última semana, os homens estavam entre os favoritos, entre eles Miguel Roncato, Odilon Wagner, Raphael Viana e o agora eliminado Guilherme. Mas duas mulheres ainda estão na disputa: além de Roberta, Monica Martelli foi a melhor da primeira eliminatória.

Se contarmos as edições passadas, os homens estão em franca desvantagem: foram seis vitórias femininas (Karina Bacchi, Juliana Didone, Christiane Torloni, Paola Oliveira e Fernanda Souza) contra apenas duas masculinas (Robson Caetano e Rodrigo Hilbert). A pergunta que fica no ar é: será que o ‘Dança dos Famosos’ sobrevive a 2012?


Eliana: licença-maternidade de Xuxa fazendo escola

julho 31, 2011

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Raul Gil, Ratinho, Lívia Andrade, Helen Ganzarolli, Patricia Abravanel… esses são alguns dos “artistas” que substituirão a apresentadora Eliana a frente de seu prograa homônimo no SBT. Isso porque a loira, que tem uma carreira de 23 anos segundo a própria, se afastou neste domingo para dar à luz ao seu primeiro filho – com João Marcelo Bôscoli.

Não, o programa ‘Eliana’ não vale um post – assemelha-se a tantos outros programas de auditório com quadros de curiosidades, comportamento, disputa entre casais e aventuras com animais selvagens. Uma fórmula batida, portanto. O que vale esse post é a estratégia de valer-se de convidados para segurar uma atração durante a licença-maternidade de sua apresentadora. Por que não deixar programas gravados previamente, já que o ‘Eliana’ só vai ao ar uma vez por semana, aos domingos?

Xuxa foi pioneira nessa história, tendo em Ivete Sangalo sua “substituta” que melhor se valeu da história – tanto que a baiana acabou aparecendo em diversos outros programas e ganhou até um para chamar de seu, o Estação Globo. Mas outros cantores também apresentaram o ‘Planeta Xuxa’, como Daniel e Zezé di Camargo & Luciano, entre outros.

Treze anos depois é a vez de Eliana, que parece ter ficado bastante incomodada com essa rotatividade a frente de seu programa. Hoje, na despedida, parecia muito feliz pela chegada de seu filho, mas pouco à vontade em passar o bastão, afirmando que “ficará em casa assistindo e se divertindo muito”. Ahã.

A última apresentadora a entrar de licença-maternidade antes de Eliana foi Luciana Ximenez, que viu a cantora Gilmelândia apresentar o ‘Superpop’ em seu lugar. E não faltaram boatos em torno dessa situação, questionamentos inclusive se a morena voltaria ou não à Rede TV!, já que seu marido se desligou da emissora no período.

Vejamos o que o patrão Silvio Santos, afeito a mudanças abruptas na grade do SBT, reservará para a loira…


Novela: Cordel Encantado mostra a que veio

abril 25, 2011

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(Imagem do site da revista Contigo!)

Uma história com vocação para encantar o telespector. Assim é ‘Cordel Encantado’, novela da faixa das 18h, da Rede Globo, que aposta no trio boas atuações, direção acertada e produção caprichada. As imagens impressionam com seu jeitão de cinema (mais informações na coluna da Kogut) e somam-se a um texto diferente do que normalmente vemos na TV, principalmente em um horário ingrato no qual muitas pessoas ainda não retornaram do trabalho.

Há galãs e moçoilas bonitas para agradar aos adolescentes (Jayme Matarazzo, Cauã Reymond, Nathalia Dill, Bianca Bin, Bruno Gagliasso), muitos lançados em Malhação. Tem romance, uma dose de drama (Carmos Della Vechia vem dando conta do recado) e comédia, fórmula básica em (quase) todo bom folhetim que se preze. Apesar do desdém de algumas pessoas, a trama tem conseguido índices de audiência animadores – depois da decepcionante ‘Araguaia’ – e pode surpreender se conseguir manter o fôlego inicial.

Gostei muito das chamadas mesmo antes de a novela estrear e achei a abertura uma das mais fofas dos últimos anos (lembram da tosca abertura de ‘Escrito nas Estrelas’?). Apesar de ainda estar trabalhando na hora em que a história vai ao ar, tenho acompanhado pela internet (essa linda!) e aos sábados, quando possível. É bom ‘Morde e Assopra’ se cuidar mesmo…


Macho Man: Por que o programa é quase bom?

abril 18, 2011

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Gosto das tramas de Alexandre Machado e Fernanda Young. Sempre gostei também dessa coisa meio exagerada que o Jorge Fernando tem e acho a Maria Orth uma ótima atriz para comédia. Então, por que será que ainda não consegui gostar de Macho Man? O programa, que estreou há duas semanas, nas noites de sexta-feira, com direção do talentoso José Alvarenga Jr. (que não obstante dirigiu ‘Os Normais’).

A história é original e tem tudo para ser muito divertida: o ex-gay Nelson precisa aprender a viver em uma sociedade acostumada à sua homossexualidade (do emprego como cabelereiro ao figurino descolado), contando com sua amiga Valéria, uma ex-gorda que emagreceu mais de 20 quilos. Tratar de preconceito e esteriótipos em uma série cômica? Claro que vai dar certo! Vai? Não sei…

O primeiro episódio foi por demais explicadinho, desenhadinho, com algumas boas sacadas, mas sem nada de excepcional. O segundo, exibido na última sexta (15) já mostra a dupla tendo que lidar com o julgamento das outras pessoas em meio a situações cotidianas. Alguns dos clichês incomodam, mas são fundamentais também, pelo menos neste início de história. Minha impressão é que existe algo ainda fora do tom, fora de ritmo, um descompasso que pode ser corrigido, caso o argumento tenha fôlego. Talento não falta, isso é certo.


GNT: Nova programação (e Chegadas e Partidas)

abril 13, 2011

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Adoro o canal GNT e tenho gostado cada vez mais das opções que o canal oferece aos telespectadores. Com um caráter essencialmente feminino, e assumindo, a nova programação lançada no final de março tem sido de boas surpresas e alguns equívoco, o que mostra que houve uma aposta real em novidades.

Ao sair da zona de conforto e experimentar, o GNT conseguiu uma grade diversificada que atende ao seu público sem deixar de agradar a quem opta por determinados nichos da programação. A culinária continua presente, assim como os espaços para falar de beleza, saúde e maternidade, mas gostei da aposta em um conteúdo mais informativo. Os programas foram separados por assuntos e cada dia da semana ganhou um ‘tema’:

Segunda-feira: Estilo
Base Aliada – 20h45 (Julia Petit): ainda precisa encontrar o tom e se menos superficial
Vamos Combinar – 21h30 (Mariana Weickert): extensão do GNT Fashion
Superbonita – 22h (Luana Piovani): o primeiro programa foi ao ar no dia 11

Terça-feira: Estar Bem
Descontroladas – 20h45 (espécie de reality show): ainda não consegui assistir
Mãe & Cia – 21h30 (Diana Both): mesmo sem ainda ser mãe, achei fofo e informativo
Perdas e Ganhos – 22h (Cynthia Howlett): reality sobre emagrecimento bem bacaninha
Duas Histéricas – 23h (Fernanda Young): tosco. Crítica da Kogut já diz tudo.

Quarta-feira: Comportamento
Conversas de Salão – 20h45: não faz meu gênero de programa, meio caótico
Chegadas e Partidas – 22h (Astrid): o destaque positivo da programação. Recomendo a crítica do Maurício Stycer.

Quinta-feira: Casa e Cozinha
Decora – 20h45 (Bel Lobo): eu gostava da Cristina Brasil…
Nos Trinques – 21h (Gusto Requena: ainda não assisti
Que Marravilha (22h) e Diário do Olivier (23h): sem novidades na área gourmet

Sexta-feira: Livre
Pirei (Betty Lago): estreia dia 15 de abril (23h)

Domingo: Atualidades
No Astral! – 23h (Claudia Lisboa): Astrologia aplicada na TV, o programa agrada a um nicho bem específico


Reality Shows: Entrevista com Ale Rocha

abril 6, 2011

Sou fã do Ale Rocha. Além de jornalista competente, escritor e crítico de televisão, criou o maior blog brasileiro independente sobre TV – o Poltrona - que está temporariamente fora do ar. Mas, claro, não fica parado nunca. É usuário ativo do Twitter, escreve semanalmente uma coluna sobre TV e fã de reality shows, participando ativamente da última edição de A Fazenda, pela Record, e do BBB11, pelo Yahoo!. E foi sobre esse assunto apaixonante em comum, e muito mais, que falamos na entrevista abaixo:

1) O BBB11 teve um dos finais mais surpreendentes da história do programa, do qual não se tinha certeza de quem seria o ganhador. Acredita que isso aconteceu por conta do elenco escolhido ou por uma mudança no posicionamento da direção, que influencia o público com a forma de mostrar cada participante?

Sempre há quem aponta a edição favorável a este ou àquele participante. Acompanhei o PPV e o programa da Globo. Em alguns momentos, a edição era favorável a um dos confinados. Contudo, não creio que, como um todo, algum participante tenha sido beneficiado ou prejudicado – especialmente os três finalistas. Daniel, Maria e Wesley fizeram por merecer.

2) Quais são os prós e os contras da vitória de Maria para as próximas edições do programa? Este resultado representa uma possibilidade de renovação para o BBB?

Finalmente acaba o tabu sobre a mulher bonita e gostosa. Maria vingou Priscila, Fani, Nathalia e tantas outras que brilharam, mas acabaram eliminadas, pois o público acreditava que elas mereciam a capa de uma revista masculina, não o prêmio. Não vejo nenhum contra na vitória de Maria, como não vejo em nenhum dos outros vencedores. Ainda mais atualmente. A cultura do “assunto mais importante de todos os tempos dos últimos 15 minutos” matou a repercussão pós-BBB. Maria não durou dois dias sequer na Globo. Quando esteve no Faustão, menos de uma semana após conquistar o prêmio, era um assunto datadíssimo, por incrível que pareça. O BBB tem impacto apenas sua exibição.

3) Esta edição foi jogada muito com o apoio da internet e teve como marca a diminuição na quantidade de votos por conta da mudança do sistema de votação – algo que não ficou bem explicado. Você acredita que esta tendência se manterá nos próximos anos?

É uma tendência. Claro que ela pode não se confirmar. De repente vem a 12ª edição com um elenco muito afiado e a audiência na TV aberta volta a crescer, o que resultará em um maior número de votos, em mais mobilização na internet etc. Porém, pela tendência, podemos esperar uma queda na audiência na TV aberta, mas maior interesse via TV paga (seja Multishow ou PPV) e pela internet (com muitos vídeos oferecidos gratuitamente pelo site oficial do programa). A audiência do BBB está em queda na TV aberta, mas registrou alta na TV paga e no PPV (seja pela TV, seja pela internet).

4) Como jornalista, blogueiro e comentarista de TV, você já deve ter recebido críticas de todos os jeitos? Sobre quais assuntos são hoje as mais positivas e quais as mais negativas?

Sim, levo pancada. Não tem um assunto que seja mais ou menos polêmico. O público se divide em torcidas cegas durante o programa. Se eu criticava Maurício, era elogiado pela torcida de Diana e repudiado pelos fãs do cantor. Se no dia seguinte falava mal de Diana, ia do Olimpo ao inferno. Não ligo muito para isso, nem vou dizer que assisto ao programa com isenção. Tenho minha formação, meu histórico. Como qualquer pessoa, não sou imune a julgar, nem a ser julgado moralmente. Porém, não torço. É um imperativo ético. Quando chegou na final, desejava o prêmio para Daniel ou Maria por mérito. Eles protagonizaram o BBB11. Dar o prêmio pro Wesley? Lamento, mas o coqueiro, que no final era palmeira, foi mais expressivo.

5) Mais do que relatar algo que os espectadores/internautas não viram, você dava sua opinião em sua coluna no Yahoo!, informando e também criticando participantes, comportamentos e decisões da direção do programa. De que forma você acha que contribui para a formação deste público?

Minhas críticas, muitas vezes, são guiadas pela análise do discurso. Levo para meus textos o que me incomoda não só na TV, mas fora dela. Não gosto de discurso destoante da prática, algo infelizmente comum. Todos estamos sujeitos a isso. No BBB, observar essa incoerência é um prato cheio. Não tem um confinado que deixe de meter os pés pelas mãos. Durante o programa, acho bacana destacar isso.

6) A nova edição de Ídolos acabou de começar, com uma nova formação de jurados – algo que também aconteceu no Americam Idol. Você acredita na fórmula do programa como atração? Por que os vencedores acabam não conseguindo um lugar ao sol?

Nunca fui fã do American Idol. Não é uma crítica ao programa, muito bem feito e eficaz ao que se propõe. Questão de gosto mesmo. Mesmo assim, acompanhei as duas edições do Ídolos no SBT e a primeira exibição pela Record. O programa tem avançado e a mudança nos jurados pode ser bem interessante. Rick Bonadio fez um ótimo trabalho no único reality show musical que entregou um sucesso ao público – a primeira edição do Popstars, exibido pelo SBT e pelo Disney Channel, que resultou no Rouge. Luiza Possi é jovem e carismática. É uma incógnita, mas pode render – apesar que não tinha qualquer restrição com Paula Lima. Rodrigo Faro foi um tremendo avanço diante de Beto Marden e Lígia Mendes e lembra um bocado o estilo de Ryan Seacrest, do American Idol. Ainda tenho forte restrição contra Marco Camargo. Nenhum crítica ao seu trabalho como produtor. Apenas creio que não funciona na TV. Se a Record conseguisse pescar o Miranda do SBT, apostaria com mais entusiasmo nesta nova edição do programa.

7) Ainda este ano está prevista mais uma edição de A Fazenda. Qual seu balanço das três temporadas do reality até agora (excentuando-se a performance do Britto Jr, claro)? Acha que se fosse jogado por ânonimos, como o BBB, o programa alcançaria o mesmo sucesso?

A quarta edição de A Fazenda deve estrear em julho, na verdade. Do ponto de vista técnico, o reality avançou. Porém, o público deixa a desejar ao votar. Nem vejo como uma questão de mudar a fórmula, colocando anônimos no programa. Na última edição, todos os confinados interessantes foram retirados na primeira semana. Na época, especulei julgamento moral sobre alguns participantes. Hoje, acredito que os “famosos” mais conhecidos acabam prejudicados, pois o público acredita que eles não precisam do prêmio. Bobagem. O público tem que parar de encarar reality show como Criança Esperança ou Teleton. Tem que observar quem merece. Quem sabe a vitória de Maria deixe este “legado”.

8 ) Percebi que algumas regras e condutas de A Fazenda acabaram influenciando as últimas edições do BBB. Você sentiu essa influência? De qual forma?

Creio que um está de olho no outro e vice-versa. Não só pelas edições nacionais, mas também no que já foi experimentado no exterior e já funcionou. Não vejo nada demais, sinceramente. Regras, provas, punições são interessantes, mas nada disso substitui uma boa escolha do elenco. Reality show é elenco, ainda mais os de confinamento.

9) Um outro reality que vem fazendo sucesso é o Troca de Família, que segue uma linha no estilo Esquadrão da Moda, no qual o foco é mais comportamental e menos de confinamento, com acompanhamento 24 horas por dia. Essas fórmulas, que exigem menos investimento, também tendem a se manter na TV?

Hoje tem reality show pra tudo e vai continuar assim. São mais baratos de serem produzidos do que uma novela, por exemplo. A TV norte-americana, quando enfrentou uma greve de roteiristas em 1988, deu origem a isso. Nesta época, as emissoras descobriram que era possível abrir mão da ficção e produzir programas baratos e atraentes para a audiência e anunciantes. Bastavam algumas câmeras, alguns anônimos dispostos a exibir sua intimidade e muita inserção publicitária.  O primeiro sucesso foi Cops (1989), atração que acompanhava operações policiais, e que hoje inspira programas como P24 (Band). Em 1992, surgiu o programa que é considerado o marco zero dos reality shows contemporâneos. Produzido pela MTV norte-americana, The Real World (Na Rea”, no Brasil) reuniu sob um mesmo teto um grupo de adultos recém-saídos da adolescência. As câmeras acompanhavam o dia-a-dia de decepções amorosas, dificuldades acadêmicas e profissionais, despertar da sexualidade, flerte com o vício em álcool e drogas e até a luta pela sobrevivência – passaram pela atração participantes que acabaram vencidos pela Aids, fibrose cística, bulimia e anorexia.

10) Quais outros realitys você gosta na TV, além dos que já citamos? (confesso que sou apaixonada pelo O Aprendiz – ou era, com o Justus) Há algum programa no qual você aposte que vai bombar (pode estar no ar ou ser uma atração ainda por estrear).

É tanta coisa que vou esquecer alguns, com certeza. Além do BBB, de A Fazenda, de Troca de Família e de Esquadrão da Moda, gosto muito de O Aprendiz, The Amazing Race e American Chopper.


BBB11: E o Brasil mariou! :)

março 30, 2011

Maria nunca foi minha preferida. Tive vários outros jogadores em mente quando pensava na final do programa: Cristiano, Natalia, Diana, Talula… Daniel também não me conquistou de cara, já que no início ele era mais uma cobrinha fofoqueiro do que um lépido e fagueiro amigo de coqueiro. Wesley, apesar de médico formado, me dava angústia com sua falta de boca (literalmente) e será lembrado por ser quase um príncipe de tão educado.

Maria me deu vergonha algumas vezes, em outra fiquei sem entender se ela era burrinha ou apenas sonsa. Hoje acredito que ela tem uma dose de ingenuidade e outra tanta de esperteza daquele tipo que come pelas beiradas. De coajuvante dos planos de Talula e submissa amante do Maumau, Maria tornou-se a amiga que todo mundo queria ter e a mulher que muitas mulheres já foram – só que não em rede nacional. No fim das contas, ela beijou o sapo, mas acabou o programa juntinho do príncipe.

Nesta final, torci por Maria sim. E não foi porque todas as enquetes apontavam a moça como campeã. Torci porque Wesley não fez por merecer, apenas foi coajuvante de muitos paredões. Torci porque Daniel, no fundo, jogou sozinho e seu único mérito foi ter conseguido tirar Maumau e Rodrigão com seu anti-jogo. Torci porque, entre os três, Maria foi quem mais vivenciou o programa: fez amigos, inimigos (a Vesga odeia a paulista), amores, desamores… e mariou. Mariou muito. E ainda vingou Priscila BBB9 e Fani BBB7, duas mulheres bonitas, gostosas e inteligentes que quase chegaram lá. Valeu, Maria! E que venha o BBB12, afinal a seleção começa em abril, que é logo ali.


BBB11: E agora, quem merece o prêmio?

março 28, 2011


Daniel deu graça ao programa, ao mesmo tempo que ficou bêbado, teve uma relação com um coqueiro, xingou, chorou, gritou, invejou e falou maledicências. Seu perfil de gay feliz foi desmoronando nas duas últimas semanas. Não gosto quando ele usa sua causa filantrópica como motivo para ganhar. Se ele levar, será marcante porque, com 40 anos e uma faculdade recém-terminada, ele terá chance de multiplicar o dinheiro.

Maria… é Maria. Seria a primeira mulher a ganhar sem ser a coitadinha. A mãe é médica, a irmã é profissional bem sucedida, o pai falecido lhe deixou bens. E daí? BBB não é eleição de quem merece mais, não é jogo de caridade. É jogo de afinidade, carisma e convivência. Discordo de quem diz que ela não é inteligente pois, se não fosse, não teria conseguido mudar de rumo e chegado à final. Maria foi muitos e foi protagonista desde as primeiras semanas, seja como fiel escudeira de Talula, seja correndo atrás de Maumau ou embriagando-se com Daniel até ficar com Wesley.

Wesley é o esteriótipo dos últimos vencedores, excetuando-se o fato de que não parece tão estrategista. Pouco articulado ao vivo, com uma profissão definida, de família modesta e unida, pode ser o sonho loiro e encantado de muitas moçoilas. Seu único mérito, caso ganhe (está indo bem nas enquetes até o momento), é o fato de ter voltado de seis paredões – também algo comum em vários vencedores de BBB.

Façam suas apostas!


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